De golpes e
de golpismos
Carlos Augusto Pereira
A vida anda para trás quando certos
atores não cumprem seus papeis na democracia. E esse andar para trás pode durar
décadas e atingir gerações. Na década de 60 do Século passado as Forças Armadas
subverteram a ordem e aplicaram um golpe militar, desrespeitando a
Constituição. Em vez de obedecer ao Presidente eleito e Comandante em Chefe das
Forças Armadas, passaram a comandar o comandante. É a carroça puxando o cavalo.
O esquisito é que, os subversivos,
por terem subvertido à força, a ordem constitucional, passaram a tratar por
subversivos quem defendia a Constituição Federal. Pior, cassaram parlamentares
e, para implantar a nova ordem, fizeram aprovar uma “Constituição” só com os
deles, encomendada para acobertar toda sorte de ilegalidades, com Supremo com
tudo. Rasgaram a Carta Magna. Foram anos de retrocesso, como resultado desse
crime, na jovem democracia brasileira.
Desgraçadamente, golpes e
golpismo estão no DNA da nossa República. Lembre das aulas de história. No
tempo em que o Brasil ainda era uma colônia de Portugal, vários movimentos
independentistas foram deflagrados. Deles, o único que chegou a tomar o poder,
de fato e por 75 dias, foi a Revolução Pernambucana de 1817. Os
revolucionários, a partir do Recife e de Goiana, dominaram a maior parte da
região Nordeste. Da margem esquerda do Rio São Francisco até o Maranhão.
Os movimentos queriam muito.
Alguns: voto universal e até a abolição da escravatura. Era muito para aquela “ruma”
de conservadores. “Façamos a revolução
antes que o povo a faça”. A frase foi dita na década de 1930, pelo
Governador mineiro Antônio Carlos de Andrada, para evitar a revolução,
encaminhada à época pelos tenentes e liderada por Luis Carlos Prestes. Mas foi
exatamente isso que Manuel Deodoro da Fonseca inaugurou, ao proclamar a
República em 1889.
A República, então inaugurada no Brasil em 1889, mudou tudo para não
mudar nada. Manteve o latifúndio, a escravidão e os privilégios dos poderosos.
Destituiu o Imperador Pedro II, exatamente cem anos após a Revolução Francesa. No
Brasil, quando o povo se aproxima do seu sonho, os golpes “se dão”. O modelo concentrador
segue intacto até hoje.
O último golpe envolveu uma ampla
aliança, com o Supremo com tudo, que abre mão dos interesses nacionais. O que
nos consola é que grande parte dos seres pensantes já se deram conta de que o
Brasil vive mais um golpe. O sinal mais claro é que hoje, quem senta na cadeira
de Presidente da Republica, é rejeitado por 93% da população.

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