quinta-feira, 19 de julho de 2018


De golpes e de golpismos

Carlos Augusto Pereira

A vida anda para trás quando certos atores não cumprem seus papeis na democracia. E esse andar para trás pode durar décadas e atingir gerações. Na década de 60 do Século passado as Forças Armadas subverteram a ordem e aplicaram um golpe militar, desrespeitando a Constituição. Em vez de obedecer ao Presidente eleito e Comandante em Chefe das Forças Armadas, passaram a comandar o comandante. É a carroça puxando o cavalo.

O esquisito é que, os subversivos, por terem subvertido à força, a ordem constitucional, passaram a tratar por subversivos quem defendia a Constituição Federal. Pior, cassaram parlamentares e, para implantar a nova ordem, fizeram aprovar uma “Constituição” só com os deles, encomendada para acobertar toda sorte de ilegalidades, com Supremo com tudo. Rasgaram a Carta Magna. Foram anos de retrocesso, como resultado desse crime, na jovem democracia brasileira.

Desgraçadamente, golpes e golpismo estão no DNA da nossa República. Lembre das aulas de história. No tempo em que o Brasil ainda era uma colônia de Portugal, vários movimentos independentistas foram deflagrados. Deles, o único que chegou a tomar o poder, de fato e por 75 dias, foi a Revolução Pernambucana de 1817. Os revolucionários, a partir do Recife e de Goiana, dominaram a maior parte da região Nordeste. Da margem esquerda do Rio São Francisco até o Maranhão.

Os movimentos queriam muito. Alguns: voto universal e até a abolição da escravatura. Era muito para aquela “ruma” de conservadores. “Façamos a revolução antes que o povo a faça”. A frase foi dita na década de 1930, pelo Governador mineiro Antônio Carlos de Andrada, para evitar a revolução, encaminhada à época pelos tenentes e liderada por Luis Carlos Prestes. Mas foi exatamente isso que Manuel Deodoro da Fonseca inaugurou, ao proclamar a República em 1889.

A República, então inaugurada no Brasil em 1889, mudou tudo para não mudar nada. Manteve o latifúndio, a escravidão e os privilégios dos poderosos. Destituiu o Imperador Pedro II, exatamente cem anos após a Revolução Francesa. No Brasil, quando o povo se aproxima do seu sonho, os golpes “se dão”. O modelo concentrador segue intacto até hoje.

O último golpe envolveu uma ampla aliança, com o Supremo com tudo, que abre mão dos interesses nacionais. O que nos consola é que grande parte dos seres pensantes já se deram conta de que o Brasil vive mais um golpe. O sinal mais claro é que hoje, quem senta na cadeira de Presidente da Republica, é rejeitado por 93% da população.

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