Privatização da água ameaça população brasileira
No mês de março publiquei no meu blog o artigo: “Lugar de muitas águas”. O mote era a realização, em Brasília, do VIII Fórum Mundial da Água. Como o evento foi financiado por indústrias que usam intensivamente a água e por concessionárias do serviço de saneamento nacionais e multinacionais, perguntei ao final do artigo: “O que pode sair de uma discussão sobre a água, um dos principais bens da humanidade, num cenário preparado por quem nele vê um grande negócio?”
A resposta veio na última quinta-feira (12), com o anúncio de que o Governo Temer/ pMDB/PSDB/DEMo, rejeitado por mais de 90% da população, com a Medida Provisória 844/2018, que desestrutura o serviço de saneamento no Brasil e privatiza água e saneamento. A Lei 11.445 de 05 de janeiro de 2007, garante, através do subsídio cruzado, que regiões mais ricas de cada unidade da federação possam subsidiar o saneamento das regiões mais empobrecidas.
De acordo com a medida provisória de Temer/ pMDB/PSDB/DEMo, no artigo 10, o Governo propõe o fim do subsídio cruzado. Dessa forma, dos mais de 5.500 municípios só 500 podem despertar o interesse das concessionárias, que vêem um grande negócio na prestação do serviço de saneamento. Só querem sabem do dinheiro dos moradores das cidades que podem pagar pelo saneamento.
O saneamento é a botija de ouro de concessionárias como a SABESP, com ações em Nova York e a canadense BRK ambiental. Já para as gigantes do ramo cervejeiro e de refrigerantes, como AMBEV e Coca-Cola e do ramo alimentício como a Nestlê, a mina quase inesgotável está nas nascentes, mananciais e aquíferos, como o do Guarani.
Entidades como a Associação Nacional de Empresas Estaduais de Saneamento (AESB), Associação Nacional de Prestadores Municipais de Serviço de Saneamento (ASSEMAE), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) e a Frente Nacional do Saneamento (FNS), denunciam e opõem à MP 844/2018.
A bancada do PT na Câmara Federal, lançou uma dura nota de repúdio em que acusa o Governo Temer de inviabilizar o serviço público de saneamento nas pequenas cidades, inclusive nas regiões de baixa disponibilidade hídrica.
Na nota, a bancada ainda afirma: “Com o fim do subsídio cruzado, a MP imporá tarifas tão altas que tornará proibitivo o consumo de água tratada nos municípios com sistema superavitário explorados por empresas privadas, que só almejarão lucros, e também nos municípios deficitários, onde as tarifas serão proibitivas em razão do fim do subsídio cruzado.”
De um Governo ilegítimo que pratica a rapinagem, no fim do mandato, privatizando tudo quanto pode. Que congela, por 20 anos, os investimentos na educação, saúde e segurança e que trata água como mercadoria, não se poderia esperar outra coisa. O sinal já tinha sido dado no financiamento do VIII Fórum Mundial da Água, lá em março. Como um personagem de desenho animado da minha infância: “Eu te disse, eu te disse.”


